História das Análises Clínicas

História das Análises Clínicas

As Análises Clínicas no Brasil nunca tiveram autonomia acadêmica, mas sempre foram ligadas as Escolas e Faculdades de Farmácia no início e, mais tarde, as Faculdades de Biomedicina. Assim como não há Faculdade de Análises Clínicas, não há Conselhos que representem diretamente esta profissão.

 

As Análises Clínicas no Brasil atualmente são regulamentadas por três Conselhos: o de Farmácia, o de Biomedicina e o de Medicina. Não existe uma Faculdade autônoma de Análises Clínicas, mas sempre dependeu do curso de Farmácia na modalidade Análises Clínicas, embora outros profissionais pudessem trabalhar nesta disciplina. Os cursos de Biomedicina e de Medicina não são específicos para esta área, embora no primeiro caso a faculdade tenha se adaptado da sua principal função, já que pela lei 6.684/79 as atribuições do Biomédico eram referidas a análise do meio ambiente, serviços de radiologia, hemoterapia e radiodiagnóstico e pesquisa científica. Hoje as Análises Clínicas são regulamentadas por lei.

 

Embora tenham sido criados cursos de Farmácia anexos aos cursos de Medicina no Rio de Janeiro e em Salvador, a criação do curso de Farmácia em Ouro Preto em 1839 pela Assembleia Provincial constitui-se em um marco, na medida em que este passa a constituir-se no primeiro curso autônomo desta área no Brasil. Esta iniciativa tentou normatizar uma realidade onde predominava amplamente a medicina popular, complementada pela ação de práticos e de alguns poucos profissionais com formação acadêmica.

 

Somente em 1874 foram adquiridos equipamentos para a montagem do gabinete de Física e do laboratório de Química, embora dedicados à farmácia, esta prática ainda era subvencionada pelo governo a pessoas particulares. Mais tarde, em 1891, permitiu-se a compra na Europa de aparelhos, máquinas e material de laboratório necessários ao ensino prático. No início do século é que realmente a Escola de Farmácia começa a se delinear como iniciadora das análises clínicas com a criação dos laboratórios de Química Orgânica e Biológica, laboratório de Química Analítica e Toxicologia.

 

Em função do ressurgimento da peste, com a lembrança da primeira pandemia no VI século, que atingiu todo o mundo romano, a do século XIV que aniquilara um quarto da população da Europa, o novo grande ciclo, iniciado na China e alcançando a América do Sul pelo Paraguai e Argentina, aportando à cidade de Santos em outubro de 1899, o governo federal designou Oswaldo Cruz, para juntamente com Adolpho Lutz e Vital Brazil, verificar a real etiologia da epidemia de Santos.

 

Confirmado oficialmente que «a moléstia reinante em Santa era a peste bubônica», as autoridades sanitárias decidiram instituir laboratórios para produção de vacina e soro contra a peste: Instituto Butantã, em São Paulo, e no Instituto Soroterápico Municipal no Rio de Janeiro, em 1900. A partir daí, começam a acorrer ao Instituto estudantes de medicina, em busca de estágio ou de orientação para suas teses, então indispensáveis para a graduação. Novos temas de pesquisa foram sendo rapidamente adotados em diversos domínios: hematologia, bacteriologia, protozoologia, virologia, imunologia e helmintologia, delineando a atividade analítica. Nascia o Instituto Oswaldo Cruz.

 

Inaugurado em 1908, o Curso de Aplicação foi a primeira escola brasileira de pós-graduação, verdadeira inovação no panorama científico nacional. Nele se ensinava e trabalhava, durante dois anos, sobre métodos de investigação e experimentação em microscopia, microbiologia, imunologia, física e química biológica, e parasitologia lato sensu.

Uma rede estadual de saúde foi formada em São Paulo em 1892, com a criação do Instituto Bacteriológico e do laboratório de Análises Químicas e Bromatológicas e a incorporação do Instituto Vacinogênico, do Laboratório Farmacêutico e dos Hospitais Públicos.

 

Desde os primeiros anos, o Instituto Bacteriológico pode intervir com grande impacto nas condições de saúde da população paulista, ajudando a controlar a difusão da febre amarela em quase todo o território do Estado, debelando uma epidemia de febre bubônica em Santos e combatendo o “cólera” e a febre tifoide que grassavam na Capital. Enquanto isso, o Laboratório Bromatológico atuava, junto aos órgãos da polícia estadual, no controle às fraudes e às contaminações de alimentos. Em 1940, os dois grandes laboratórios públicos foram unidos, graças à ampliação das instalações físicas, e denominado Instituto Adolfo Lutz.

 

Em 1950 a Escola de Farmácia foi federalizada, ficando subordinada diretamente ao Ministério da Educação e Cultura. Em 1969 torna-se uma das unidades acadêmicas da Universidade Federal de Ouro Preto.

 

Já em São Paulo, pela lei estadual nº 19 de 24/11/1891, foi criada a Academia de Medicina, Cirurgia e Farmácia, que não chegou a ser regulamentada. Com a criação da Sociedade Farmacêutica Paulista (1894), primeira agremiação da classe naquela província, foi proposta em janeiro de 1897, a criação de uma cooperativa farmacêutica, incluindo entre seus estatutos a fundação de uma escola livre de farmácia, a qual também não se realizou.

 

Em 1898 foi aprovado, em sessão do Conselho Municipal, o projeto de criação da Escola Livre de Farmácia de São Paulo. Tomando como modelo a Escola de Farmácia de Ouro Preto, o curso ficou constituído de quatro séries de estudos, conferindo o título de farmacêutico ao fim da terceira série, e o de bacharel após o exame da quarta série.

 

De acordo com seu regulamento, a instituição ficava autorizada a realizar exames de habilitação de dentistas e parteiras, enquanto não existissem cursos especiais desses dois ramos no Estado paulista. Em 1901, foram anexados à Escola os cursos de odontologia e de obstetrícia, quando a instituição passou a denominar-se Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia. Em 1903, esta era definida como uma associação de médicos, farmacêuticos e graduados em ciências naturais, tendo por fim ministrar o ensino das matérias que compunham os cursos de farmacologia e ciências naturais, odontologia e obstetrícia, tendo competência para conferir títulos de bacharel em ciências naturais e farmacêuticas, diploma de cirurgião-dentista e de obstetrícia, além de examinar os cirurgiões-dentistas, farmacêuticos e parteiras diplomados por escolas estrangeiras.

 

Em 1928, o periódico “O Pharmacêutico” Brasileiro publicou notícia sobre a inauguração dos cursos de aperfeiçoamento ocorrida naquele ano no curso farmacêutico da instituição, para obtenção do título de doutor em farmácia. Para isso, seus gabinetes foram modernizados e foi instalado um laboratório de farmácia. O curso foi dividido em duas seções: teórica-prática e prática.

 

A primeira seção incluía as cadeiras de físico-química, bioquímica e química dos coloides, química industrial, mineralogia e análise mineralógica; enquanto a segunda seção compreendia as cadeiras de análises aplicadas, análises bromatológicas e hidrológicas, análises químicas, análises industriais e química legal.

 

Em 1934, foi criada a Universidade de São Paulo. A instituição tornou-se parte integrante da Universidade, passando a chamar-se Faculdade de Farmácia e Odontologia da Universidade de São Paulo.

 

Em 1962 a Faculdade foi desmembrada em duas unidades independentes, recebendo os nomes de Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de São Paulo e Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

 

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