Por Dr. Héctor Enrique Giana (diretor-presidente do Laboratório Oswaldo Cruz)
Decidimos criar o museu há mais de 15 anos, época em que a tecnologia de ponta estava no início. Quer dizer, a tecnologia que existia era de ponta para a época, mas logo após alguns anos percebemos que nossos equipamentos eram “peças de museu”. Começamos então a juntar peças e equipamentos com o objetivo de mostrar ao público, parceiros, médicos e pacientes, a evolução da área das análises clínicas.
Nos chamou a atenção o fato de que equipamentos chamados “velhos e ultrapassados”, poderiam ainda ser utilizados na rotina laboratorial, com a diferença de precisão e exatidão de resultados, mas ainda com a possibilidade de uso sem prejuízo dos resultados. Isso caracterizava uma prática que se tornava comum em cidades pequenas ou em laboratórios de pequeno porte, já que, pela baixa demanda de serviços, os novos equipamentos se tornavam inviáveis.
O tempo nos deu a razão. A ideia de mostrar para a comunidade equipamentos e produtos obsoletos, deixa sem dúvida alguns questionamentos: Poderemos ainda confiar nos exames realizados nos equipamentos antigos? O custo de instalação de novos equipamentos está relacionado à remuneração recebida pelas empresas de análise? Este sistema é justo ou penaliza à saúde como um todo por falta de critérios e mecanismos de avaliação?
Todas essas perguntas terão respostas na medida em que se torne uma necessidade de todos. Saber exatamente em que lugar colocamos nossa expectativa de resolver o problema da saúde neste país, sendo um trabalho de todos.
Convidamos você a visitar nosso museu e tirar suas próprias conclusões.



